Injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI)

Por: Dra. Fabrícia Leal Zaganelli

A fertilização in vitro (FIV) é a técnica de reprodução assistida mais utilizada e com maiores taxas de sucesso no tratamento da infertilidade. Seus métodos são de alta complexidade e, devido ao fato de a maior parte dos procedimentos ser feita em laboratório, é possível controlar algumas situações e minimizar os riscos de falha.

Existem duas formas de a FIV ser feita: pelo método clássico ou por ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide). Por muito tempo, foi utilizada somente a forma clássica, em que os óvulos e espermatozoides são colocados em uma placa de cultura e a fecundação acontece naturalmente.

Porém, com os avanços da medicina e da tecnologia, foi possível desenvolver a ICSI, técnica que permite que o gameta masculino seja injetado diretamente no citoplasma do óvulo (interior do óvulo) para promover a fertilização, aumentando as chances de sucesso do procedimento. Atualmente, a técnica é a mais utilizada devido à sua eficiência, inclusive em casos mais graves de infertilidade masculina.

O que é a ICSI?

A ICSI é um método de fecundação da FIV que possui grande eficiência. São utilizados microscópios e micromanipuladores para realizar a fertilização com os gametas em laboratório. Pode observar detalhes dos espermatozoides, detectar seus defeitos e selecionar os melhores, pois são aumentados em até 12.500 vezes. Identifica em tempo real e com precisão os espermatozoides com maior capacidade de fertilização.

É a técnica mais indicada atualmente, principalmente em casos mais graves de infertilidade masculina, em que a quantidade de espermatozoides disponíveis é reduzida.

O procedimento pode ser realizado com uma pequena quantidade de espermatozoides, que pode ser obtida por masturbação ou por uma cirurgia na região dos testículos para a retirada dos gametas dos túbulos seminíferos (local em que são produzidos) ou epidídimos (ductos pelos quais os espermatozoides passam durante seu amadurecimento).

A ICSI pode ser realizada mesmo em casos de azoospermia, oligozoospermia, vasectomia, entre outros.

Devido ao seu grande diferencial e a sua alta complexidade, a ICSI possui ótimos índices de sucesso no tratamento. Com isso, as chances de realizar o sonho da gravidez ficam mais altas.

Como a ICSI é realizada?

A FIV por ICSI é realizada da mesma forma que a FIV clássica, sendo diferente apenas a etapa de fecundação.

Inicialmente, é feita a estimulação ovariana, durante a qual são administrados medicamentos hormonais para aumentar o desenvolvimento dos folículos e obter mais óvulos.

Com a indução da ovulação, os óvulos são puncionados e selecionados para a fecundação. Nesse mesmo momento, são coletados os espermatozoides, que, em casos mais graves, podem ser retirados diretamente dos testículos por meio de biópsia. Na forma clássica, os gametas, tanto masculinos como femininos, são colocados em uma placa de cultura para que se encontrem e fecundem.

Na ICSI, um micromanipulador de gametas é utilizado, um aparelho muito preciso que contém um microscópio e uma agulha bem fina para captar o espermatozoide e inseri-lo diretamente no óvulo. Nesse caso, são necessários poucos gametas para que a fecundação aconteça, e por isso a técnica ganhou tanto espaço na medicina reprodutiva.

Após a fertilização, os embriões formados são cultivados em um meio de cultura até que se encontrem em desenvolvimento ideal para a transferência ao útero. Para que isso aconteça, a mulher é monitorada por ultrassonografias e preparada a fim de definir o momento em que seu endométrio está preparado para receber o embrião e dar início à gestação.

A preparação do endométrio é fundamental para melhorar a receptividade endometrial, condição fisiológica adequada para que ocorra a fixação do embrião no endométrio, camada interna do útero. Uma receptividade endometrial inadequada por levar a falhas de implantação e, consequentemente, à infertilidade.

A transferência embrionária é a última etapa da FIV. Depois da transferência, não podemos mais intervir, só aguardar o resultado positivo da gravidez.

Quando a ICSI é indicada?

Existem muitos casos em que a ICSI pode ser indicada e ela é muito utilizada em casos mais graves de infertilidade, principalmente masculina. Algumas situações possíveis são:

  • casos em que a quantidade ou qualidade dos espermatozoides é baixa;
  • homens que passaram pelo procedimento de vasectomia e buscam a reversão da condição;
  • casos de doenças infecciosas ou infertilidade por causa imunitária;
  • quando há dificuldade para conseguir uma ejaculação em condições normais;
  • quando o casal utiliza amostras congeladas pela criopreservação (técnica muito utilizada por homens que fazem vasectomia ou passam pelo tratamento contra o câncer);
  • casos de repetição de falhas em outros ciclos da FIV e da inseminação intrauterina (IIU);
  • quando o número de óvulos após a punção ovariana é baixo.

Quais as taxas de sucesso do tratamento?

Quando comparada a outras técnicas de reprodução assistida, a FIV é a que possui maior taxa de sucesso atualmente e, quando realizada por ICSI, tem essa taxa ainda mais elevada. Por ser o método mais eficiente, é muito indicada em diversos casos de infertilidade, incluindo os mais graves, superando as indicações de FIV clássica.

Porém, o sucesso no tratamento depende de alguns fatores, como a idade da mulher e a qualidade dos gametas usados no procedimento. Sabe-se que, com o tempo, as fertilidades masculina e feminina tendem a diminuir, por isso é essencial que sejam utilizados gametas de qualidade para aumentar as chances de gravidez.

Ainda que os benefícios da técnica sejam muitos, é muito importante que o casal passe por uma investigação detalhada, pois o melhor tratamento da reprodução assistida é definido de acordo com a individualidade de cada casal. Cada situação é única e a medicina reprodutiva conta com inúmeras técnicas e procedimentos disponíveis para atender aos diversos casos de infertilidade.