Avaliação geriátrica

Por: Dra. Joana Azevedo Oliveira

A geriatria é a área médica voltada para o acompanhamento de pessoas com mais de 60 anos. Nessa fase da vida, os riscos são maiores para o desenvolvimento de quadros neurodegenerativos, como as demências, principalmente Alzheimer, e a doença de Parkinson.

A avaliação geriátrica envolve uma série de escalas que ajudam o especialista a identificar se há déficits nas funções cognitivas, assim como prejuízos nas capacidades de vida diária e na autonomia do idoso. Além da investigação de patologias, esse paciente é observado em totalidade, visando a promoção de saúde e mais qualidade de vida em seu dia a dia.

Uma questão de extrema importância no acompanhamento do paciente idoso é a participação dos familiares e/ou cuidadores. Determinadas doenças, como as demências, tendem a modificar a percepção do paciente em relação à sua realidade atual. Nesse sentido, os parentes ou profissionais de cuidado diário auxiliam o médico em sua coleta de informações a respeito da saúde geral, do histórico clínico e da vida diária do idoso.

Como é o atendimento geral em geriatria e gerontologia?

O atendimento em geriatria requer uma longa lista de aspectos a serem avaliados. A consulta inicial é extensa e dura cerca de uma hora e meia, uma vez que a quantidade de informações a coletar é ampla. Além disso, o idoso e seus familiares normalmente chegam com muitas queixas, as quais demandam atenção e esclarecimento de dúvidas.

De modo resumido, a avaliação geriátrica observa:

  • as funções cognitivas do paciente: suas condições de memória, atenção, percepção, linguagem e funções executivas;
  • as capacidades funcionais básicas: como ir ao banheiro, alimentar-se e vestir-se sem ajuda;
  • o desempenho das atividades instrumentais: no que se inclui tarefas como ir ao banco, cozinhar, entre outros compromissos dentro e fora de casa;
  • mobilidade: a fim de identificar limitações de movimento e autonomia do paciente;
  • história clínica completa do idoso: comorbidades, medicamentos que usa, vacinação, quantos acompanhamentos médicos já faz, ocorrência de infartos e AVC, histórico familiar de doenças graves etc.;
  • aspectos nutricionais: se há sobrepeso ou baixo peso e quais são as doenças associadas (diabetes, colesterol elevado, hipotireoidismo, entre outras);
  • condições sensoriais: incluindo audição, visão, percepção para evitar quedas e demais aspectos;
  • humor do idoso: para identificar se há transtornos mentais — os mais comuns são depressão e ansiedade;
  • suporte social, ambiental e afetivo: como é o círculo de convivência do paciente, quem cuida, com quem mora, como é sua rotina, condições de moradia e nível de apoio familiar.

Somado à investigação clínica completa, o exame físico é necessário para identificar determinadas características do paciente geriátrico, como hipotensão postural, rigidez nas articulações e tremor nas mãos. Essa extensa avaliação é fundamental para conhecer os detalhes sobre o paciente idoso e chegar à conclusão de quais doenças estão presentes.

Quais métodos de avaliação são utilizados?

Em geriatria, existe um conjunto de testes e escalas utilizados para avaliar aspectos como capacidade funcional, cognição, mobilidade e humor do idoso. À essa bateria de ferramentas específicas é dado o nome de Avaliação Geriátrica Ampla (AGA).

Esse método de acompanhamento é essencial para o seguimento clínico do idoso, considerando suas condições inerentes ao processo de envelhecimento e o aumento da predisposição para inúmeras patologias e limitações — biológicas, psicológicas e sociais. Sendo assim, é preciso um olhar médico mais abrangente e que aprecie o paciente em seu todo.

Com base nos resultados da avaliação ampla, é possível chegar ao diagnóstico precoce de uma série de patologias. Além disso, pode-se identificar se há necessidade de serviços de apoio e intervenção multidisciplinar, a fim de proporcionar uma coordenação integrada do cuidado ao paciente idoso.

Domínios cognitivos

Uma das principais escalas utilizadas no acompanhamento geriátrico é o Mini-Mental State Examination, ou Mini-Exame do Estado Mental (MEEM). O teste é principalmente direcionado à avaliação de quadros de demência, os quais alteram sobretudo a memória, mas também podem afetar a linguagem, a percepção e as capacidades executivas e visuoespaciais.

Os domínios cognitivos, de modo geral, referem-se à utilização das funções cerebrais superiores. Déficits nessa área são comuns nos quadros demenciais. Além do MEEM, outros testes podem ser aplicados conforme a avaliação individualizada do idoso.

Funcionalidades

Existem escalas para verificar as atividades básicas de vida diária (ABVD) e as atividades instrumentais de vida diária (AIVD). A primeira refere-se às funcionalidades de autocuidado, como ir ao banheiro e se alimentar, enquanto a segunda avalia o papel do indivíduo na comunidade, considerando quais tarefas de convívio social ele ainda consegue desempenhar.

Humor

Sintomas depressivos e ansiosos são comuns em idosos e podem dificultar a evolução no tratamento de patologias crônicas. Um dos principais métodos utilizados para avaliar o humor desse paciente é a Escala de Depressão Geriátrica de 15 itens (GDS-15).

Mobilidade

É importante observar as condições de mobilidade e a propensão do paciente a quedas, visto que essa é uma causa significativa de morbimortalidade em idosos. Assim, testes específicos observam a velocidade da marcha, assim como o tempo cronometrado para levantar-se e andar.

Estado nutricional

A escala de Miniavaliação Nutricional (MAN) é utilizada para verificar as condições de saúde do paciente em relação ao aporte de nutrientes, devido à sua maior vulnerabilidade para apresentar problemas digestivos e doenças endocrinometabólicas.

Suporte social

Por último, vale ressaltar que a privação de apoio emocional e a insuficiência de recursos necessários para os cuidados principais do idoso são importantes fatores para o declínio funcional e o controle inadequado de doenças geriátricas. Assim, alguns testes são direcionados à avaliação tanto do suporte social do idoso quanto do nível de sobrecarga e estresse dos cuidadores mais próximos.

Tendo todas essas questões em vista, ressaltamos que o acompanhamento geriátrico não é voltado apenas para o diagnóstico e o tratamento de enfermidades. Assim, a geriatria também se propõe a garantir melhores condições para que o idoso passe pelo processo de envelhecimento com mais qualidade de vida e autonomia.