Tendinite

Por: Dr. Sonival Azevedo Oliveira

A tendinite é a inflamação de um tendão, que pode acometer diferentes partes do corpo. Com mais frequência, a dor afeta ombros, cotovelos, punhos, joelhos e tornozelos. O termo tendinite já não é o mais correto para designar tais condições, uma vez que nem sempre o quadro envolve um processo inflamatório.

O termo tendinose é adequado para descrever uma lesão crônica no tendão, a qual é provocada, na maioria dos casos, por uso excessivo e movimentos repetitivos — nem sempre há uma inflamação presente, as apresentações do quadro podem apontar para uma condição degenerativa.

Já o termo tendinopatia é mais amplo e abrange diferentes tipos de lesões do tendão, incluindo tendinite, tendinose e rupturas tendíneas.

É oportuno explicar que os tendões são estruturas de tecido conjuntivo fibroso que ligam os músculos esqueléticos aos ossos.

Essas estruturas combinam força e flexibilidade e são necessárias para conseguirmos mover as várias partes do nosso corpo. Nos quadros de tendinose, ocorre uma degeneração do colágeno dos tendões, prejudicando a mobilização da área lesionada.

Causas das tendinites

Lesões ocupacionais e atléticas são causas comuns de tendinopatias, visto que envolvem o uso excessivo de partes como mãos e punhos, manguito rotador (no ombro), tendão patelar, tendão de Aquiles e epicôndilos medial e lateral dos cotovelos.

Assim, o excesso de atividade decorrente dos movimentos repetitivos e/ou forçados provoca um trauma local, causando inflamação em alguns casos.

As tendinites aparecem mais frequentemente com o avanço da idade. O envelhecimento faz com que os tendões percam sua elasticidade de forma progressiva. Outros fatores de risco são condições laborais inadequadas, sobrepeso, musculatura fraca, erro postural e alguns quadros clínicos, como diabetes e artrite reumatoide.

Principais sintomas de tendinite

As apresentações clínicas específicas dependem do local e do tipo de tendão lesionado. Contudo, o sintoma característico da tendinite é a dor, que se agrava com o uso do membro acometido. Outros possíveis sintomas são:

  • inchaço;
  • rigidez;
  • enfraquecimento do membro;
  • dificuldade de mobilização.

Avaliação diagnóstica dos quadros de tendinite

O diagnóstico começa na avaliação clínica do paciente, com base nos sintomas relatados e nos achados do exame físico. Métodos complementares podem ser úteis para a conclusão do quadro, incluindo modalidades de imagem como radiografia, ultrassonografia e ressonância magnética.

O exame físico requer uma inspeção detalhada a fim de avaliar alterações no tendão, como edema e assimetria. Palpação para identificar a sensibilidade, testes de amplitude do movimento e manobras aplicadas para simular a carga do tendão são alguns dos métodos de avaliação clínica.

Entre os exames de imagem, as radiografias podem ser úteis para fazer a exclusão de anormalidades na estrutura óssea. A ultrassonografia e a ressonância nuclear magnética apresentam boa acurácia na definição do local exato em que o tendão foi lesionado, assim como na identificação do grau da lesão.

Dependendo da suspeita clínica, são solicitados exames laboratoriais para investigar morbidades associadas como artrite reumatoide e diabetes mellitus.

Formas de tratamento para tendinite

Os tratamentos de tendinite visam a redução da dor e a melhora na qualidade de vida do paciente. Para tanto, uma das recomendações é o afastamento do fator causal, isto é, das atividades que tenham desencadeado ou agravado a lesão no tendão.

Sendo assim, a melhora do quadro depende de medidas como repouso relativo, modificação de atividades repetitivas ou extenuantes (se possível), controle da dor e prevenção de novas lesões.

Quanto à intervenção medicamentosa, opioides, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), assim como os corticosteroides, são bastante utilizados no tratamento das tendinites. A administração de curto prazo desses medicamentos promove analgesia e favorece a amplitude do movimento — efeitos que, inclusive, ajudam na realização de exercícios de reabilitação.

A maioria dos pacientes que desenvolvem tendinite por uso excessivo apresenta boa recuperação com alguns meses de tratamento ambulatorial. Imobilização com tala e aplicação de compressas são medidas complementares que podem ajudar no controle da dor.

Os AINEs são eficazes para mitigar a dor aguda, mas não são o tratamento de escolha para quadros de tendinopatia crônica. Já os corticoides, apesar de seu efeito benéfico no alívio dos sintomas, devem ser usados com cautela.

Em casos acentuados de dor e dificuldade para mobilizar o tendão lesionado, a infiltração peritendínea de corticosteroides e imobilização temporária podem ser indicadas.

Terapia Ocupacional e Fisioterapia têm papel importantíssimo na analgesia e recuperação da função do paciente.

Há também outras abordagens terapêuticas que têm sido sugeridas na literatura médica, mas ainda oferecem poucos dados que evidenciem seus benefícios no tratamento da tendinite, tais como as terapias por ondas de choque.

Por fim, a intervenção cirúrgica tem eficácia, mas não é frequente nos casos de tendinite, ficando reservada aos pacientes que não conseguiram bons resultados com as opções de tratamento conservador.

A cirurgia também pode ser necessária para remover tecidos inflamados e depósitos de cálcio em situações específicas, o que é mais comum quando há outras doenças presentes, como a artrite.

Uma vez controlada a manifestação aguda da tendinite, é importante dar enfoque às condutas de prevenção de novas lesões. Isso é feito com correção dos fatores desencadeadores, bem como programas de exercícios específicos para reabilitação física.

Com essas intervenções, objetiva-se a melhora da qualidade muscular e a redução do uso excessivo e inadequado dos tendões.