Rinite

Por: Dra. Elaine Vidigal

A rinite é uma das doenças alérgicas mais comuns, conjuntamente a outros quadros, como asma e dermatite atópica. Entre os principais problemas dessa natureza ainda estão: alergia alimentar, dermatite de contato, urticárias e reações de hipersensibilidade a medicamentos.

Não raro, essas condições se desenvolvem de forma concomitante. Por exemplo, a maior parte dos pacientes com asma apresenta rinite associada. A correlação é tanta que, em muitos casos, fatores que agravam um tipo de alergia podem exacerbar as outras doenças alérgicas. Da mesma forma, o tratamento de uma condição pode ser benéfico para as demais.

Apesar de ser uma das doenças crônicas mais comuns no mundo, a rinite em si não é tão valorizada, isto é, não impulsiona a busca por avaliação médica e tratamento. Isso ocorre porque não se trata de uma doença letal. Por outro lado, quando não há um controle adequado, a rinite pode prejudicar a qualidade de vida das pessoas acometidas.

Causas e tipos de rinite

Alergias são respostas excessivas do sistema de defesa do organismo. Nos casos de rinite, isso normalmente acontece quando a mucosa interna do nariz é exposta a agentes estranhos, o que desencadeia uma reação inflamatória.

Há vários tipos de rinite, sendo que alergias e infecções virais são as principais causas dessa condição. Em suma, a rinite se divide em: alérgica, infecciosa, medicamentosa e hormonal.

De modo geral, os gatilhos para crises de rinite incluem:

  • ácaros (presentes na poeira doméstica);
  • fungos;
  • epitélios de cão e gato;
  • pólen;
  • bactérias e vírus;
  • alguns alimentos e medicamentos;
  • mudança brusca de temperatura.

O tipo mais comum da doença é a rinite alérgica. Pessoas com esse quadro apresentam reação quando são expostas a alérgenos, como ácaros, fungos, pelo de animais etc. — inclusive as baratas, que se escondem pelos cantos da casa, são potenciais alergênicos. Há também outros fatores desencadeantes das crises de rinite que não são alérgenos, mas irritativos, como fumaça de cigarro e perfumes.

A rinite infecciosa é outro tipo comum dessa doença. Nesse caso, os sintomas se instalam em decorrência de ação viral ou bacteriana. Podem ocorrer algumas manifestações diferentes do quadro alérgico, como febre e dores no corpo.

Há também a rinite medicamentosa, provocada justamente pelo uso indiscriminado de descongestionantes nasais. A ânsia de aliviar os sintomas incômodos da rinite, principalmente a congestão nasal, pode levar à automedicação constante e agravar o quadro, ocasionando esse diagnóstico. O uso prolongado de outros medicamentos como aspirina, ibuprofeno e outros anti-inflamatórios não hormonais também pode induzir sintomas de rinite em pacientes susceptíveis.

Um tipo menos frequente é a rinite hormonal, que está associada a alterações nos níveis de hormônios. Por exemplo, durante a gestação, as mulheres estão mais suscetíveis a desenvolver a doença ou agravar um quadro leve já existente.

Sintomas da rinite e possíveis complicações

Os sintomas de rinite são bem conhecidos e até ignorados pelos portadores dessa doença. Justamente, por considerarem um quadro leve, com sintomas toleráveis, as pessoas podem se acostumar a viver assim e desconsiderar a busca por tratamento.

Quadros não controlados de rinite podem desencadear, por exemplo, respiração bucal e alterações no sono. Nesse contexto, a síndrome da apneia obstrutiva (parada de respiração durante o sono) é uma das complicações possíveis. Como consequência de tal problema, o corpo não tem o descanso necessário — mesmo após uma noite inteira de repouso.

Pessoas com apneia obstrutiva do sono podem sentir cansaço constante, sonolência excessiva, irritabilidade, prejuízos nas funções cognitivas (dificuldades de atenção e concentração) etc. Além disso, nos casos mais graves, existem os riscos de hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, arritmias, infarto do miocárdio e hipertensão pulmonar. Em casos gravíssimos, pode ocorrer morte súbita.

A procura por ajuda médica é maior no acompanhamento às crianças com rinite, uma vez que os sintomas chamam a atenção dos pais e representam um alerta para os efeitos no desenvolvimento infantil — físicos, cognitivos e sociais. Por exemplo, a criança que não dorme bem devido à rinite pode ter dificuldades de concentração e aprendizado e consequentes déficits no rendimento escolar.

Em relação aos efeitos da rinite no desenvolvimento físico, a criança que é respiradora bucal desde muito nova pode ter efeitos orofaciais irreversíveis, como: face alongada; palato em ogiva (céu de boca em formato anômalo); alterações na arcada dentária; ressecamento labial; bruxismo; olheiras; hipotonia muscular da face.

Em síntese, os sintomas de rinite podem ser leves, mas seus efeitos negativos não devem ser ignorados. A sintomatologia inclui:

  • espirros;
  • coriza;
  • prurido nasal (coceira);
  • alteração no olfato e paladar;
  • congestão nasal.

Esses sintomas se manifestam em frequência variável, podendo ocorrer diariamente ou em episódios esporádicos. Além disso, a rinite pode ser mais evidente em alguns horários, como no período matutino ou no fim do dia.

Interessante também observar que a rinite pode vir acompanhada de outros problemas. A sinusite — inflamação nos seios da face — é um deles e, em muitos casos, requer intervenção com antibióticos. Outra condição comumente associada é a conjuntivite alérgica, que inclui sintomas de lacrimejamento, secreção, vermelhidão e coceira nos olhos.

Avaliação diagnóstica

Os casos de rinite representam a maior demanda nos consultórios dos médicos alergistas. Contudo, nem sempre a queixa é evidente, visto que parte expressiva dos pacientes é motivada à consulta por associar os sintomas a asma, dermatite e até resfriados de repetição.

Não raro, as pessoas procuram primeiramente um otorrinolaringologista para tratar sinusite de repetição e outras condições mais graves, sem saber que seu quadro de rinite pode ser facilmente controlado.

O diagnóstico da rinite é basicamente clínico. Após investigação da história do paciente, é possível confirmar o quadro. Até algumas características peculiares, chamadas de estigmas atópicos, ajudam a identificar um portador de rinite, como a linha horizontal que se forma no nariz, devido ao incomodo persistente e aos movimentos repetitivos de tocar a região nasal.

Com a confirmação da doença, é possível classificar o grau das manifestações e promover um controle efetivo do quadro. Isso é especialmente recomendado nos casos de rinite persistente — quando os sintomas aparecem em mais de 4 dias por semana, durante mais de 4 semanas.

Também é importante estabelecer o diagnóstico das causas da rinite para diferenciar os tipos da doença (se é alérgica ou não). Isso pode requerer testes cutâneos e exames de sangue.

Formas de controle e tratamento

Pessoas com rinite mal controlada tendem a recorrer ao uso de antialérgicos sempre que os sintomas se tornam muito incômodos. Contudo, o tratamento é simples e previne os momentos de crise, assim como o uso indiscriminado de medicamento sem orientação médica.

Os pacientes com rinite persistente podem ser medicados com corticoides intranasais, sendo esse o primeiro passo para a melhora do quadro. A fim de estabelecer um maior controle da doença, o tratamento regular é prescrito, com duração mínima de 8 semanas — tempo necessário para reduzir a frequência ou a intensidade dos sintomas.

Entretanto, como se trata de uma condição crônica, essa intervenção não representa a cura definitiva da rinite. Sendo assim, os pacientes que relatam sintomas intensos e com prejuízos às atividades habituais podem ser indicados ao tratamento contínuo, ou intercrise, de forma a prevenir novas crises.

Ademais, o tratamento da rinite pode se basear em três pilares:

  • uso de medicamentos anti-histamínicos e corticoides intranasais: fármacos com a ação de mitigar os sintomas de alergias e atuar diminuindo a reação inflamatória provocada;
  • imunoterapia: método utilizado para diminuir a sensibilidade do paciente em relação aos fatores desencadeantes da rinite, com potencial para mudar o curso da doença;
  • controle de ambiente: estratégia para melhorar as condições ambientais e reduzir o contato com os agentes causadores das crises.

É importante acentuar a necessidade de se fazer o controle de ambiente, pois, ainda que o tratamento medicamentoso seja seguido à risca, a vivência em um local inadequado pode interferir na melhora da rinite. Nesse sentido, aconselha-se retirar tapetes e cortinas, utilizar capas antialérgicas para travesseiros e colchões, substituir o uso de vassoura por aspirador de pó com filtro HEPA, manter a casa arejada, entre outras medidas.

Em termos de controle de ambiente, a principal recomendação é cessar o contato com o tabagismo, uma vez que a fumaça do cigarro é extremamente prejudicial para o alérgico — o que vale para os casos de rinite e de outras doenças alérgicas e respiratórias.