Implante de silicone mamário

Por: Dr. Rafael Vidigal

O implante de silicone mamário é um dos procedimentos mais procurados no campo da cirurgia plástica. Os índices anuais mostram uma equivalência notória entre o número de próteses de mama e a quantidade de lipoaspirações realizadas — sendo, portanto, as duas intervenções mais buscadas.

A cirurgia plástica da mama é chamada de mamoplastia e pode ser feita com diferentes finalidades: aumento ou redução dos seios, correção de ptose mamária (queda das mamas), retirada do excesso cutâneo (pele) nos casos de flacidez. Nesses procedimentos, e não somente na cirurgia de aumento, o implante de silicone pode ser utilizado, dependendo dos casos, para um resultado mais satisfatório, em cirurgia única ou em dois tempos (duas cirurgias em épocas diferentes).

Os primeiros relatos de implante de silicone em gel são da década de 1960, partindo da ideia dos médicos americanos Frank Gerow e Thomas Cronin. Desde então, a prática que começou com passos titubeantes — devido ao percentual de infecção, assimetria e contratura capsular — veio passando continuamente por refinamentos técnicos e tem reafirmado sua popularidade de modo crescente.

Assim, as mamoplastias representam uma tendência na sociedade moderna e seguem em alta, cada vez com técnicas mais avançadas que proporcionam uma cirurgia segura para harmonia corporal e aumento da autoestima.

Tipos de cirurgia com implante de silicone mamário

Quando se fala em colocar silicone, logo vem à mente a cirurgia de aumento dos seios. Contudo, o implante de silicone pode ser necessário para outros tipos de mamoplastias. A redução dos seios e a correção do excesso de flacidez, por exemplo, podem ser feitas com ou sem silicone, o que depende muito das características e objetivos da paciente.

Vamos compreender melhor cada uma dessas abordagens cirúrgicas:

Mamoplastia de aumento

Para quem deseja ter seios mais volumosos e firmes, o implante de silicone para aumento das mamas é indicado. É comum que pacientes insatisfeitas com seus seios pequenos cheguem ao consultório com o objetivo de implantar próteses bem maiores que o necessário. No entanto, tão importante quanto aumentar os seios é deixá-los harmônicos e proporcionais ao restante do corpo.

Tendo isso em vista, é feita a avaliação médica para o direcionamento da paciente, esclarecimento de dúvidas e definição do plano cirúrgico mais adequado de acordo com as características individuais de cada paciente, bem como de suas medidas corporais. Nesse momento, também são apresentadas as técnicas e formas de colocar o implante. As incisões mais utilizadas, aceitas e menos visíveis, são as realizadas no sulco abaixo da mama (inframamária) e na aréola (periareolar).

Mamoplastia redutora

A cirurgia de redução das mamas é uma alternativa para mulheres com seios muito volumosos e desproporcionais. É indicada não somente com a finalidade estética, mas também para aliviar o peso no tórax, auxiliando nos problemas posturais, facilitando a higiene, o uso de vestimentas e até melhorando o desconforto causado pelo aperto do sutiã nos ombros.

Nesse contexto, a técnica de mamoplastia redutora sem descolamento cutâneo é uma opção favorável, uma vez que preserva a sensibilidade das mamas e a irrigação sanguínea local, além de proporcionar um aspecto estético natural e harmonioso. O procedimento é realizado na maioria das vezes sem o implante de silicone mamário, e em alguns casos selecionados pode necessitar do implante no mesmo ato operatório (muito raro) ou em uma segunda cirurgia posterior (segundo tempo) para complementar o formato das mamas previamente reduzidas (mais comum).

Mastopexia

A mastopexia é a cirurgia destinada ao levantamento de mamas caídas (ptose) e flácidas (com excesso de pele, estrias, murchas). Chamada de ptose mamária, a queda dos seios se deve ao excesso de pele flácida em relação ao parênquima mamário (conteúdo: glândula, gordura). Isso pode acontecer por diversas razões, incluindo a genética da paciente, qualidade da pele, gestação, alterações do peso corporal, envelhecimento, questões hormonais, incluindo a menopausa, força vertical da gravidade (lei da física), entre outras.

Nesses casos, a cirurgia plástica resseca o excesso de pele e trabalha o conteúdo do parênquima mamário. Muitas vezes, é preciso recorrer ao implante de silicone para adequar o volume mamário (conteúdo) com a retirada do excesso de pele flácida nas mamas (continente).

Procedimento para colocação dos implantes

O procedimento cirúrgico tem suas especificidades conforme o tipo da intervenção que será feita nas mamas — aumento, redução, correção de ptose (mastopexia). De modo geral, a cirurgia envolve as etapas de anestesia (local com sedação), incisão da pele, confecção do espaço (loja) para receber o implante, inclusão do implante e fechamento dos planos (sutura).

Para iniciar o procedimento, a paciente é posicionada semissentada e com os braços afastados a 90°. Isso permite simular a ação da gravidade sobre o tecido mamário para estimar os resultados com precisão. Em seguida, é feita a marcação dos pontos fixos para as incisões. A anestesia local com sedação é uma escolha adequada o suficiente para garantir o conforto da paciente.

A mamoplastia de aumento possui menos etapas cirúrgicas, sendo, portanto, mais rápida em comparação com os demais tipos de cirurgia que envolvem estratégias e táticas para remoção do excesso de pele, adequação do conteúdo do parênquima mamário e realização do enxerto de gordura quando necessário. O enxerto de gordura nas mamas também pode ser realizado na cirurgia de mamoplastia de aumento, auxiliando na simetrização e contorno do bojo mamário.

Os tipos de implantes são variáveis em termos de tamanho, projeção, formato e textura e também são escolhidos conforme a finalidade da intervenção e a intenção da paciente. As vias de colocação dos implantes, como vimos, também variam entre sulco inframamário (mais de 90%) e periareolar (menos de 10%).

Com relação à localização do implante, existem os planos subglandular (abaixo da glândula), submuscular (abaixo do músculo) e o método mais atual e moderno dual plane, em que parte do implante fica submuscular (protegido e reforçado pelo músculo como uma cinta muscular) e parte subglandular para manter a naturalidade, harmonia e evolução natural do acomodar do conjunto mama-implante.

A técnica dual plane proporciona resultados mais duradouros, implantes mais seguros, firmes e protegidos. Esse método é utilizado em maior ou menor extensão tanto nas mamoplastias de aumento quanto nas mastopexias com implantes, e pode ser complementado, de acordo com cada caso e indicação, com a realização de uma alça de sustentação muscular, bem como a tática operatória de confecção de um reforço do sulco mamário, que simula um sutiã interno e assim promove maior sustentação mamária.

Pós-operatório e possíveis complicações

Geralmente, o pós-operatório é confortável, pouco doloroso ou com incômodos eventuais que são tratados com analgésicos, conforme prescrição médica. No início, é muito comum haver edema (inchaço). A cicatrização passa por fases distintas, apresentando bom aspecto a partir do 30º dia de cirurgia e ocorrendo alterações ao longo de suas fases no período de 18 meses.

Em resumo, as principais orientações pós-operatórias incluem:

  • evitar a movimentação excessiva dos braços;
  • não fazer esforço físico nos dias subsequentes à cirurgia;
  • fazer a devida higienização das feridas cirúrgicas e troca de curativos;
  • o retorno às atividades habituais e ao trabalho varia de acordo com a resistência de cada indivíduo, mas leva em média de 3 a 4 dias;
  • dirigir somente após o 7º dia;
  • relação sexual é liberada após 7 dias, mas sem pressão nas mamas por 1 mês;
  • retirar os pontos cirúrgicos a partir da segunda semana após o implante;
  • não se deitar de bruços por 2 meses;
  • as cicatrizes não podem apanhar sol direto por um período de 18 meses – utilizar bloqueador solar mesmo quando cobertas;
  • evitar contato direto com animais de estimação por pelo menos 20 dias, para prevenir infecções;
  • retomar os exercícios físicos progressivamente, a partir de 30 dias para as modalidades esportivas leves, 60 dias para as moderadas e 90 dias para as intensas;
  • comparecer nas consultas de revisão cirúrgica agendadas e seguir as orientações e cuidados pós-operatórios até a avaliação para alta completa.

Da mesma forma que em qualquer intervenção cirúrgica, existem possíveis complicações gerais, inerentes ao procedimento, e as associadas ao implante de silicone mamário, como a contratura capsular (contratura da cápsula formada pelo organismo e que envolve o implante) e a ruptura do implante.

No entanto, problemas dessa natureza são menos frequentes atualmente. Em virtude dos diversos estudos na área da cirurgia plástica e da constante inovação e evolução das técnicas, o procedimento é feito com segurança e promove resultados satisfatórios na grande maioria dos casos.