Oncopreservação

Por: Dra. Fabrícia Leal Zaganelli

Com os avanços da tecnologia e da medicina ao longo dos anos, foi possível desenvolver técnicas e procedimentos para melhorar a qualidade de vida de pessoas com câncer. Uma delas é a oncopreservação, que visa preservar a fertilidade desses pacientes que podem acabar tendo que lidar com a infertilidade após o tratamento da doença.

Muitas vezes não é possível evitar os danos causados à saúde reprodutiva de homens e mulheres que passam por quimioterapias, radioterapias e cirurgias durante o tratamento. Por isso, a preservação da fertilidade é fundamental para essas pessoas e permite que elas realizem o sonho de ter seus filhos em um momento futuro de sua vida.

A oncopreservação conta com técnicas como o congelamento de óvulos, espermatozoides e embriões para mantê-los saudáveis até que o paciente esteja pronto para utilizá-los futuramente. Esse material preservado pode ser utilizado apenas na fertilização in vitro (FIV).

O que é a oncopreservação?

Ao passar por um tratamento contra o câncer, é importante que a qualidade de vida do paciente seja levada em consideração. Com o avanço da medicina, a cura total da doença é possível em muitos casos, mas pode causar também algumas consequências para o paciente, como a infertilidade.

O oncologista, seja clínico, seja cirurgião, tem papel fundamental na preservação da fertilidade de pacientes com câncer, uma vez que a maioria dos pacientes não tem conhecimento dos danos que os tratamentos oncológicos podem causar a sua fertilidade ou das alternativas de preservá-la. Assim, sempre que o diagnóstico é feito e o tratamento é planejado, os riscos à fertilidade devem ser expostos ao paciente, que deve ser questionado sobre o interesse em um futura gravidez.

Em muitos casos, a cirurgia é a principal chance de cura dos pacientes, sejam homens ou mulheres. Quando é necessário retirar órgãos essenciais para a reprodução, como os ovários e testículos, a fertilidade é comprometida.

Na reprodução assistida, existem técnicas utilizadas nesses casos, como o congelamento dos óvulos, espermatozoides e embriões. Pacientes com câncer podem ser encaminhados antes do início do tratamento para passarem por esses procedimentos.

Normalmente a oncopreservação é feita enquanto o paciente passa pelos exames pré-operatórios para o tratamento oncológico. O processo de oncopreservação não atrapalha nem atrasa o tratamento, não tendo influência alguma nos tumores. Por isso, o paciente pode optar pela preservação de sua fertilidade para alcançar a gravidez no futuro por meio da FIV.

Quais as técnicas disponíveis para a oncopreservação?

Pessoas que decidem passar pela oncopreservação possuem à sua disposição algumas técnicas da reprodução assistida. O congelamento de óvulos, espermatozoides e embriões pode ser feito antes do tratamento oncológico, e o material preservado pode ser utilizado posteriormente.

Preservação oncológica da fertilidade feminina

A preservação da fertilidade feminina é feita por meio do congelamento de óvulos, também conhecido como criopreservação de óvulos. O procedimento tem início com a estimulação ovariana e a indução da ovulação. Ela acontece com o uso de medicamentos hormonais para estimular um maior desenvolvimento dos folículos.

Após a indução da ovulação, é feita a punção folicular e posteriormente a seleção dos óvulos mais saudáveis para o congelamento. Os de melhor qualidade são selecionados e congelados por meio de vitrificação para que possam ser preservados.

No momento que a mulher decidir engravidar após o tratamento oncológico, e sob a permissão do médico oncologista, os óvulos são descongelados e utilizados na FIV, sendo fecundados pelos espermatozoides de seu parceiro ou de um doador anônimo.

Preservação oncológica da fertilidade masculina

A preservação da fertilidade masculina é feita por meio da criopreservação de espermatozoides. Inicialmente é colhida uma amostra do sêmen por ejaculação ou a coleta dos espermatozoides por meio de uma intervenção cirúrgica que retira os gametas diretamente dos testículos ou epidídimos, que são ductos ligados aos testículos em que os espermatozoides ficam após sua produção para amadurecer.

Uma solução crioprotetora é utilizada para proteger os espermatozoides, evitando danos ou perdas durante o congelamento. A amostra é identificada por nome, data e código do congelamento e depois é enviada para o processo de resfriamento. Esse material é criopreservado para que possa ser utilizado futuramente na fertilização in vitro (FIV) ou na inseminação intrauterina (IIU), também conhecida como inseminação artificial (IA).

Quais as taxas de sucesso da oncopreservação?

Na reprodução assistida, cada caso é avaliado de forma individual para que seja definido o melhor tratamento, buscando sempre alcançar a gravidez e minimizando os riscos de falhas ou problemas no caminho.

O congelamento de gametas e de embriões é um procedimento realizado há bastante tempo e por isso conta com um número maior de resultados positivos. Segundo o estudo da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, sobre a preservação da fertilidade em pacientes com câncer, as taxas desse procedimento podem variar e chegar a até 40%.

Ao conversar com um especialista, o paciente pode definir a melhor opção e adotar os métodos indicados para preservar a sua fertilidade. Após o tratamento oncológico, o paciente deve esperar a orientação médica para que possa realizar a FIV com seu material preservado por congelamento.