Microcirurgia

Por: Dr. Sonival Azevedo Oliveira

A Microcirurgia é uma técnica especializada que permite a reconstrução de pequenas estruturas lesionadas. Trata-se de uma abordagem cirúrgica aplicada em diversas áreas médicas, e com papel de altíssima relevância no âmbito da ortopedia.

Os procedimentos microcirúrgicos incluem a manipulação de vasos e nervos de pequeno calibre, o que demanda um conhecimento técnico meticuloso.

Nas aplicações da cirurgia ortopédica, a microcirurgia é realizada para reparo de nervos, enxertos, reimplantes, entre outras ações. Com o auxílio de uma lupa ou de um microscópio, as pequenas estruturas são manipuladas de forma precisa, permitindo a recuperação da funcionalidade dos membros lesionados.

A microcirurgia foi introduzida no Brasil na metade do século XX, a princípio para recuperar membros superiores que haviam sido amputados.

Contudo, sua relevância foi além dos reimplantes, tornando-se uma técnica essencial para várias situações em ortopedia e traumatologia, além de se estender a diferentes especialidades, como neurocirurgia, cirurgia plástica, urologia, entre outras.

O nome “microcirurgia” parece estar relacionado a um procedimento pequeno e de simples execução. Entretanto, a técnica de Microcirurgia Reconstrutiva exige um aprofundado conhecimento anatômico e princípios cirúrgicos refinados.

O que ocorre é que as estruturas abordadas são de pequeno calibre — veias, artérias, nervos, tendões, músculos e tecidos milimétricos. Na verdade, são operações bem complexas.

A microcirurgia reconstrutiva pode envolver o uso de tecidos que são retirados do corpo do próprio paciente e transferidos para a área anatômica que necessita de correção. Os retalhos podem reconstruir o revestimento cutâneo, muscular e esquelético do paciente, preservando seus membros lesionados e, muitas vezes, evitando uma amputação.

Da mesma forma, é possível fazer o enxerto microcirúrgico de nervos, a fim de garantir a motricidade e a sensibilidade das partes operadas.

Dentre os casos indicados à microcirurgia na área de Ortopedia e Traumatologia estão: lesões por acidentes de trabalho, por prática de esportes, acidentes de trânsito, doenças congênitas, fraturas decorrentes de osteoporose, entre outras condições.

Enxerto de pele, reconstrução com retalho miocutâneo, transplante com anastomose vascular e microcirurgia do plexo braquial estão entre os procedimentos mais frequentes.

Microcirurgia e Cirurgia da Mão

Microcirurgia Reconstrutiva e Cirurgia da Mão são especialidades que visam a correção de lesões nervosas, vasculares, ligamentares, articulares, cutâneas e ósseas.

O cirurgião de mão realiza o acompanhamento diagnóstico e cirúrgico de diversas patologias e traumas que afetam os dedos, mãos, punhos, antebraços, cotovelos e nervos do pescoço. Doenças degenerativas e anormalidades congênitas nos membros também são tratadas nessa área.

As microcirurgias nas mãos envolvem a manipulação de estruturas de calibre muito reduzido, sendo necessário operar com equipamentos avançados e sistemas ópticos de alta magnificação.

Assim, é possível reimplantar partes amputadas, corrigir problemas nos nervos periféricos, fazer a transferência de tecidos (retalhos microcirúrgicos) para reconstruir as áreas lesionadas etc.

Quando o paciente chega com um trauma ou deformidade nas mãos ou braços, o objetivo é fazer o que for possível para recuperar a funcionalidade da parte afetada. Isso porque os membros superiores são utilizados em quase todas as atividades que realizamos, sendo, portanto, importantes ferramentas de trabalho.

Perder as mãos pode representar a interrupção da capacidade funcional e profissional, o que envolve impactos significativos na vida do paciente — nos aspectos físico, psicológico e econômico. Por mais que hoje existam próteses bem desenvolvidas, estas ainda não substituem fielmente as funcionalidades das mãos. Sendo assim, o principal intuito médico é recuperar o membro original.

Também há de se considerar que as lesões traumáticas são sensíveis à passagem do tempo, podendo deixar sequelas.

Se houver demora na busca por atendimento médico ou se a condução inicial do tratamento for ineficiente, esses casos podem demandar mais tempo de afastamento laboral e um número maior de intervenções e sessões de reabilitação. Além disso, existe o risco de o paciente ficar com danos e incapacitação permanentes.

Os casos que chegam ao cirurgião de mão incluem traumas ocorridos no local de trabalho, acidentes domésticos, condições degenerativas e tumorais, deformidades congênitas, tendinites, lesões adquiridas na prática extenuante de esportes e vários outros quadros. Dentre os problemas mencionados, é comum o atendimento a bebês e crianças entre os pacientes com defeitos congênitos.

Principais problemas das mãos, punhos e cotovelos

Os membros superiores podem ser prejudicados por traumas e doenças de diferentes naturezas. Alguns casos têm bons resultados com tratamentos não cirúrgicos, mas grande parte é indicada aos procedimentos de microcirurgia.

Entre as lesões, patologias e deformidades (adquiridas ou congênitas) que afetam mãos, punhos e cotovelos, estão:

  • síndrome do túnel do carpo;
  • dedo em gatilho;
  • dedo em martelo;
  • tendinites;
  • tenossinovite;
  • rizartrose;
  • cistos sinoviais;
  • osteoartrose degenerativa dos dedos;
  • polidactilia (dedos extranumerários);
  • sindactilia (dedos unidos);
  • paralisia obstétrica do plexo braquial;
  • doença de Dupuytren ou fibromatose da fáscia palmar;
  • epicondilite medial e lateral;
  • bursite olecraniana;
  • lesões ligamentares;
  • lesões nos tendões;
  • fraturas e luxações;
  • perda de cobertura cutânea.

É fundamental que esses casos sejam conduzidos desde o primeiro momento por um profissional especializado em Cirurgia da Mão e Microcirurgia, com o conhecimento necessário para estabelecer o prognóstico do paciente.

Com a avaliação precisa e o tratamento correto, é possível corrigir a maioria dos problemas apresentados, sem sequelas graves e com menor risco de prejudicar as funcionalidades dos membros de forma permanente.