Doença de Parkinson

Por: Dra. Joana Azevedo Oliveira

A doença de Parkinson é uma condição crônica que afeta o sistema nervoso central e apresenta um comprometimento neurológico progressivo, sobretudo na área responsável pela coordenação motora. As apresentações clínicas incluem bradicinesia (lentidão anormal do movimento voluntário) e mais um dos sinais cardinais, como rigidez muscular, tremor de repouso e desequilíbrio postural.

Assim como ocorre em outras patologias geriátricas, a doença de Parkinson é resultante da morte das células cerebrais, sendo este um dos efeitos do processo de envelhecimento. Devido às limitações enfrentadas pelo paciente com parkinsonismo avançado, existe o risco de que outras condições se desenvolvam, como depressão e demência associada à doença de Parkinson (DDP).

Como se trata de um processo neurodegenerativo, não há cura para essa patologia. Contudo, o tratamento multidisciplinar — com profissionais de geriatria, fisioterapia e psicologia — pode oferecer melhores condições de enfrentamento e aumentar a qualidade da vida diária do idoso.

Causas da doença de Parkinson

A doença de Parkinson é causada pela perda progressiva das células nervosas dos gânglios basais, que se situam na área do cérebro chamada de substância negra — ou nigra. Os gânglios basais têm importantes funções no sistema nervoso central. Eles ajudam a coordenar a postura e os movimentos voluntários, assim como suprimir as reações musculares involuntárias.

O principal neurotransmissor envolvido na ação dos gânglios basais é a dopamina, produzida no mesencéfalo, mais precisamente na região da substância negra. Entre seus diversos efeitos, a dopamina atua no controle de funções mentais e motoras.

Sendo assim, a redução da ação dos neurônios dopaminérgicos interfere diretamente no número de conexões entre as células nervosas dos gânglios basais, dando início aos prejuízos motores que ocorrem na doença de Parkinson. O início dos sintomas pode corresponder a uma perda de 60% dos neurônios dessa região e redução de até 80% nos níveis de dopamina.

Na síndrome parkinsoniana, também são localizadas inclusões chamadas corpos de Lewy nos neurônios remanescentes da substância negra. Trata-se de estruturas formadas por um aglomerado de sinucleína anômala — proteína que, em condições normais, participa da comunicação das células nervosas. Essas estruturas também estão associadas a outras patologias degenerativas, como a demência por corpos de Lewy.

Sintomas da doença de Parkinson

O tremor de repouso é o primeiro sinal da doença de Parkinson que as pessoas conseguem identificar. Assim como outros sintomas, o tremor pode se manifestar de forma assimétrica, isto é, sendo mais evidente em um lado do corpo. Da mesma forma, a lentificação dos movimentos (bradicinesia) é outro sinal importante, que também aparece precocemente, e o mais comum.

Os sinais e sintomas parkinsonianos fazem parte de uma longa lista, a qual inclui:

  • rigidez muscular;
  • dificuldade para iniciar um movimento voluntário (acinesia);
  • distúrbios da fala;
  • alterações no sono;
  • dificuldade de deglutição;
  • incontinência urinária;
  • perda do movimento dos membros superiores ao caminhar;
  • acúmulo de saliva;
  • fácies inexpressiva;
  • redução do tamanho das letras manuscritas (micrografia);
  • movimento rítmico e circular com os dedos, como se estivesse enrolando pequenos objetos (pill-rolling);
  • limitação para realizar as atividades de vida diária.

A instabilidade postural (perda do equilíbrio) é outro importante sintoma da doença de Parkinson e configura um risco para a integridade física do idoso, uma vez que pode ocasionar um número maior de quedas e, consequentemente, de fraturas. Com o agravamento do quadro, o paciente tende a perder sua capacidade de levantar-se ou ficar em pé sem ajuda.

Os transtornos psicológicos também estão presentes em boa parte dos casos de Parkinson, com maior incidência de depressão, ansiedade e distimia. O comprometimento cognitivo não é tão severo a princípio e acomete mais a atenção e as funções executivas do que a memória. Contudo, até 80% dos pacientes desenvolvem demência nos estágios avançados da doença.

Diagnóstico da doença de Parkinson

O atendimento em geriatria requer habilidade do profissional para organizar o volume de informações trazidas pelo paciente. É comum que o idoso tenha várias patologias geriátricas associadas e, diante disso, o médico precisa atuar com organização e avaliação criteriosa para identificar os quadros envolvidos e conseguir promover, na medida do possível, uma melhora no dia a dia do paciente.

Assim, partindo de uma ampla investigação das manifestações clínicas, o diagnóstico da doença de Parkinson é baseado nos sintomas relatados pelo paciente e seus familiares, bem como nos achados do exame físico. Vale ressaltar que essa é uma patologia de difícil conclusão diagnóstica, visto que várias outras condições também cursam com o parkinsonismo.

Por meio do levantamento dos sintomas e do exame físico, o objetivo é identificar os principais sinais da doença de Parkinson — bradicinesia, rigidez, tremor e instabilidade postural. Os exames de neuroimagem (tomografia computadorizada e ressonância magnética do crânio) são úteis para excluir outras patologias, embora ainda não façam parte das indicações de rotina.

Somadas à avaliação clínica, são utilizadas escalas para graduação da incapacidade do paciente com Parkinson. Além disso, uma forma eficaz de diagnosticar a doença é com teste terapêutico medicamentoso — quando o paciente apresenta melhora nítida e sustentada em resposta aos fármacos específicos, o diagnóstico é provável.

Tratamento da doença de Parkinson

O tratamento da doença de Parkinson é feito com levodopa, um medicamento neuroprotetor que intervém na redução de dopamina. O fármaco é de ação dose-dependente e pode demandar ajustes frequentes.

Antidepressivos e outros psicotrópicos também podem ser necessários, conforme o nível de depressão e demais patologias psicológicas associadas, assim como o acompanhamento psicoterápico é indicado. Da mesma forma, sessões de fisioterapia são importantes para melhorar o controle dos movimentos e prolongar a autonomia do idoso.

O processo de envelhecimento é um fenômeno natural e não uma doença, portanto não deve ser encarado com um olhar negativo. Entretanto, o avanço da idade aumenta os riscos de patologias crônico-degenerativas, como a doença de Parkinson e as demências. Para minimizar os impactos desses quadros, o acompanhamento com um profissional de geriatria é fundamental.