Relação sexual programada (RSP)

Por: Dra. Fabrícia Leal Zaganelli

A reprodução assistida é a área da medicina que auxilia casais inférteis que desejam engravidar. Para esse fim, oferece técnicas e procedimentos complementares. Entre as principais técnicas de reprodução assistida está a relação sexual programada (RSP).

Considerada de baixa complexidade, a RSP consiste em estimular os ovários para que liberem de 1 a 3 óvulos e, depois disso, induzir e acompanhar a ovulação com ultrassonografias, que identificam o melhor momento para o casal manter relações sexuais (período fértil) e aumentar as chances de engravidar. Quando a ovulação está para acontecer, o casal é orientado sobre qual dia oferece melhores chances de engravidar.

A RSP é indicada em casos de infertilidade feminina leve, principalmente quando relacionada a problemas ovulatórios. Apesar de ser de baixa complexidade, oferece excelentes resultados quando bem indicada.

O que é a relação sexual programada?

A relação sexual programada, também conhecida como coito programado, é uma técnica de reprodução assistida de baixa complexidade indicada para infertilidade feminina associada a alterações ovulatórias. Diferentemente da FIV, que é de alta complexidade, na RSP a fecundação ocorre nas tubas uterinas, não em laboratório.

A RSP oferece melhores resultados que as tentativas naturais de engravidar por dois motivos principais.

O primeiro é o fato de realizar a estimulação ovariana, que tem o objetivo de estimular um número maior de óvulos para a ovulação. O segundo é o fato de todo o processo ser acompanhado por ultrassonografias, tendo maior precisão para identificar o período fértil.

Sua taxa de sucesso é de aproximadamente 20%, valor que pode ser considerado expressivo por ser uma técnica de baixa complexidade. Caso a primeira tentativa não funcione, outras tentativas podem ser feitas. É possível realizar a RSP por até 3 ciclos. Caso ainda assim não se obter um resultado positivo, a FIV pode ser indicada.

Como a RSP é feita?

A RSP é feita em três etapas principais: a estimulação ovariana, a indução da ovulação com o controle ultrassonográfico e as relações sexuais.

Estimulação ovariana

O primeiro passo é a estimulação ovariana. Realizada com hormônios específicos, estimula os ovários a recrutarem folículos para amadurecer e liberar os óvulos. Em mulheres anovulatórias (que não liberam nenhum óvulo), conseguir um óvulo já pode ser suficiente para engravidar, mas o protocolo de estimulação ovariana da RSP busca a liberação de até 3 óvulos. Na FIV, o protocolo da estimulação visa à obtenção de um número muito maior de óvulos, já que não há risco de gestação gemelar nessa fase do tratamento.

A estimulação é feita por meio de medicamentos hormonais, que podem ser orais ou injetáveis. A dosagem é mais baixa, mas sempre adequada de acordo com cada paciente.

O processo de crescimento dos folículos é acompanhado por ultrassonografias, que acontecem a cada dois dias, aproximadamente. Esse acompanhamento é fundamental para identificar se a dosagem hormonal está adequada para a paciente e para acompanhar o desenvolvimento dos folículos.

Indução da ovulação

Quando a ultrassonografia indica que os folículos atingiram o tamanho adequado, é realizada a indução da ovulação, também realizada por medicamentos hormonais.

A ovulação acontece cerca de 36 horas após a administração do medicamento, portanto sabemos exatamente quando vai ocorrer a ovulação. Com essa informação, o casal é orientado sobre quando precisa manter as relações sexuais para aumentar as chances de gravidez.

Relações sexuais

O período fértil da mulher representa o momento que as relações sexuais podem resultar em fecundação. Ele abrange cerca de 3 dias antes da ovulação, já que este é o período em que os espermatozoides conseguem sobreviver dentro do corpo da mulher, e 1 dia depois da ovulação — que é o período durante o qual o óvulo sobrevive.

Sob a orientação médica, este é o momento adequado para que o casal mantenha suas relações sexuais, já que é o período em que há maiores chances de engravidar.

Quando a RSP é indicada?

A RSP é indicada apenas em casos de infertilidade feminina leve, sendo importante que o parceiro apresente boas condições de fertilidade. Por ser uma técnica de baixa complexidade e com poucos procedimentos, a RSP não consegue auxiliar pacientes com infertilidade grave ou com questões que vão além dos problemas ovulatórios.

A técnica é indicada apenas quando:

  • a mulher possui menos de 35 anos;
  • possui infertilidade leve relacionada à ovulação ou ISCA (infertilidade sem causa aparente);
  • possui uma boa reserva ovariana;
  • seus órgãos reprodutores são saudáveis;
  • não há quaisquer obstruções em suas tubas uterinas;
  • seu parceiro possui sêmen e espermatozoides considerados de boa qualidade, de acordo com os padrões definidos pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Contraindicações e possíveis riscos causados pela RSP

A RSP é um procedimento considerado seguro e possui poucas contraindicações. Pelo fato de ser uma técnica na qual a fecundação acontece dentro do corpo da mulher e existe pouca intervenção médica, é necessário que a paciente possua óvulos em boa quantidade e qualidade, além de condições em seu sistema reprodutor para que a fecundação e a implantação embrionária aconteçam.

Ainda, como não há o preparo seminal e a seleção dos espermatozoides, é fundamental que o homem possua boas condições seminais e boa quantidade e qualidade de gametas, para que eles consigam encontrar o óvulo e fecundá-lo.

Com relação aos riscos, também são baixos. Se a estimulação for feita com uma dosagem hormonal maior que o adequado, a mulher pode desenvolver a síndrome da hiperestimulação ovariana (SHO) e passar por sintomas incômodos. Porém, quando é feito um acompanhamento adequado, as chances de desenvolvimento da SHO ou de qualquer outro problema são muito baixas.