Dermatite atópica: sintomas

Por: Dra. Elaine Vidigal

A pele é o maior órgão sólido do corpo humano, sendo a primeira barreira do nosso corpo contra agressores físicos, químicos e biológicos. Por esse motivo, ela apresenta uma forte relação com outros sistemas do nosso organismo, como o imunológico.

Assim, ela frequentemente é afetada por disfunções das células de defesa, como as doenças autoimunes e as hipersensibilidades. A dermatite alérgica é uma doença caracterizada pela hipersensibilidade crônica da pele, o que compromete a aparência e a qualidade das suas barreiras.

Apesar de se expressar na pele, a dermatite atópica é uma doença provocada por uma disfunção imunológica. Com isso, há uma reação excessiva das células de defesa contra vários agressores comuns no nosso dia a dia, como a poeira, os ácaros, o pólen e outras substâncias. Consequentemente, algumas regiões da pele dos indivíduos afetados podem ficar constantemente inflamadas.

Como o sistema imunológico apresenta funções importantes em todo o organismo, a dermatite atópica está frequentemente relacionada com outras duas doenças causadas pela hipersensibilidade: a asma e a rinite alérgica.

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Os sintomas da dermatite atópica

Lesões de pele do tipo eczema

A presença de eczemas é o sintoma mais frequente da dermatite atópica, tanto que uma dos sinônimos para essa doença é dermatite eczematosa. Mas o que são os eczemas? São lesões de pele com diferentes características, podendo surgir de forma:

A localização e as características das lesões apresentam um padrão na dermatite atópica de acordo com a idade da pessoa. Nos primeiros anos de vida, predominam os eczemas agudos, que são as lesões que expressam uma aparência inflamatória mais característica com vermelhidão e umidade.

A pele da região fica mais áspera devido ao espessamento da pele, apresentando um ressecamento importante. A presença de pequenas bolhas superficiais também é comum, liberando um líquido claro quando se rompem e deixando a superfície da lesão úmida.

No primeiro ano de vida, as lesões se localizam principalmente:

  • Na face;
  • Nas áreas de extensão dos membros;
  • No abdome,
  • No pescoço e o couro cabeludo.

Em crianças mais velhas, adolescentes e adultos, as lesões apresentam características de eczema crônico. A liquenificação das áreas acometidas é o sintoma mais comum nessas faixas etárias, caracterizando-se como um espessamento da pele com acentuação das marcas cutâneas.

Alguns pacientes associam essa característica de couro animal ou de cascas de laranja. Já a localização mais comum das lesões passa a ser as regiões flexoras (cotovelos, joelhos), mãos, pés e tornozelos.

A persistência do eczema na adolescência

Nessa idade, as lesões predominam em locais que ficam expostos visualmente, como as pálpebras inferiores, os punhos, o dorso das mãos, o pescoço e a articulação do joelho. Como causam um engrossamento da pele nas regiões, alterações de cor e descamação, os adolescentes podem apresentar um sofrimento psíquico intenso.

Nessa fase da vida, há uma preocupação maior com a aparência e a aceitação social. É nela que o indivíduo forma as bases para a sua autoimagem na idade adulta. Para agravar, não é incomum que elas sofram bullying e rejeição em grupos sociais da mesma idade, pois podem ser confundidas com doenças contagiosas.

O tratamento adequado da dermatite atópica é importante para evitar que esses eventos estressores tenham um menor impacto na idade adulta. Não é raro que adolescentes com dermatite atópica mais grave tenham também de passar por um acompanhamento psicológico.

Prurido

A coceira é o sintoma com maior impacto sobre a vida dos pacientes, pois pode apresentar uma intensidade muito intensa e persistir em quase todos os dias. É muito comum que ela apresente uma piora mais expressiva durante a noite. Com isso, há um comprometimento da qualidade de vida do paciente e a inversão do padrão de sono.

A maior sonolência diurna prova um impacto na rotina do indivíduo, fazendo com que ele tenha dificuldade no trabalho e nos estudos. As crianças com dermatite atópica podem também ficar muito inquietas devido ao prurido no ambiente escolar.

Esse sintoma, associado à dificuldade de contração pela falta de descanso noturno adequado, pode ser confundido com transtornos do neurodesenvolvimento, como o transtorno do déficit de atenção e a hiperatividade.

A coceira também pode levar a complicações, como as infecções dermatológicas de repetição. As lesões fazem com que as barreiras de proteção da pele sejam mais frágeis, facilitando a invasão e a proliferação de microrganismos.

Por sua vez, as unhas podem acumular sujeira e, durante o ato de coçar, o indivíduo leva agentes causadores de doença para uma pele naturalmente mais propensa a infecções.

Tratamento dos sintomas da dermatite atópica

Evitar a exposição aos alérgenos e a hidratação da pele com produtos hipoalergênicos capazes de reconstituir a barreira cutânea é a base do tratamento da dermatite atópica. Em casos mais leves, essa e outros hábitos são suficientes para amenizar os sintomas.

Já terapia farmacológica é muito desafiadora, envolvendo:

  • Corticoidades (supressores do sistema imunes) aplicados como cremes ou pomadas sobre a pele (tratamento tópico);
  • Comprimidos de corticoides tomados diariamente (tratamento sistêmico) por um período determinado de tempo nos casos de crises mais graves;
  • Moduladores do sistema imunológico tópicos ou sistêmicos, especialmente nos casos resistentes aos corticoidades tópicos;
  • Novas modalidades de tratamento, como as vacinas, estão sendo cada vez mais utilizadas para um controle mais efetivo.

Por ser um tratamento complexo e com resultados a longo prazo, o acompanhamento com um médico experiente é essencial. A resposta a cada terapia é individual, então podem ser necessários vários ajustes no plano terapêutico. A automedicação pode ser perigosa e agravar a doença a longo prazo!

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