Depressão: conheça os sintomas

Por: Dra. Joana Azevedo Oliveira

A depressão é uma doença muito prevalente. Alguns estudos mostram que aproximadamente 5% a 10% das pessoas apresentam atualmente esse diagnóstico considerando a população mundial.

Em outras palavras, cerca de 322 milhões de pessoas sofrem com essa doença psíquica. Os idosos são uma faixa etária particularmente predisposta tanto pelo processo de envelhecimento quanto pelos eventos estressantes, como o adoecimento, a perda de familiares e a solidão.

Apesar de ser uma doença da mente, a depressão é causada por uma disfunção no sistema nervoso central. Algumas substâncias relacionadas à sensação de felicidade e satisfação (serotonina, dopamina e noradrenalina) apresentam seus níveis reduzidos.

Nesse sentido, o tratamento envolve sempre o cuidado com o corpo e a mente após uma avaliação de saúde global. Quer saber mais sobre o tema? Confira o nosso post!

Sinais e sintomas da depressão

Para o diagnóstico da depressão, é preciso que o paciente apresente, pelo menos, alguns destes dois sintomas:

  1. Humor deprimido — abrange as sensações de tristeza, desânimo e a desesperança. No caso dos idosos, os cuidadores podem perceber falas mais pessimistas, queixas frequentes de solidão, redução do interesse pelo cuidado pessoal, entre outros sintomas;
  2. Diminuição do prazer (anedonia) — apesar de ser semelhante ao humor deprimido, ela se refere às sensações e queixas de não ter mais prazer em atividades que eram recompensadoras para ela. Ou seja, mesmo quando a pessoa as realiza, não ocorre a satisfação que geralmente obtinha.

Além disso, alguns outros sintomas devem estar presentes, como:

  1. Perda ou ganho significativo de peso, — que podem ou não estar relacionados a alterações no apetite;
  2. Insônia ou sonolência excessiva, — a depressão é resultado de uma disfunção na química do cérebro e isso pode ter um impacto nos nossos ciclos de sono-vigília;
  3. Agitação ou retardo psicomotor, — essas alterações podem se traduzir, por exemplo, em uma movimentação excessiva das pernas, uma dificuldade em permanecer parado. O retardo psicomotor pode se expressar com uma marcha ou uma fala mais lentificada (que também são sintomas frequentes em algumas “demências”);
  4. Fadiga ou perda de energia — é a sensação física de cansaço principalmente;
  5. Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva inapropriada — no primeiro caso (comum em idosos), a pessoa começa a sentir e a expressar que não “serve” ou “presta” mais para nada. No segundo, a pessoa acometida começa a ruminar excessivamente sobre o passado ou suas ações presentes, o que pode desencadear crises de choro;
  6. Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, ou indecisão — em qualquer idade, a depressão pode desencadear um declínio cognitivo. No entanto, nos idosos, é essencial avaliá-los com atenção para diferenciar a depressão das demências;
  7. Pensamentos recorrentes de morte, ideação suicida, com ou sem plano — em um grau mais “leve”, são desejos de morrer precocemente sem nenhuma ação ativa. Já a ideação suicida envolve a vontade de tirar a própria vida e se imaginar realizar a ação. No grau mais grave, a pessoa já fez planos concretos do que faria para tirar a própria vida (como os meios, a data ou o local). Na avaliação da depressão, é essencial avaliar se há ou não esses pensamentos suicidas.

Se você ou algum familiar tiver algum desses sinais e sintomas, é muito importante procurar um médico para o tratamento adequado.

O diagnóstico e o tratamento da depressão

A depressão é uma doença de diagnóstico clínico. Em outras palavras, o seu médico precisa apenas avaliar os sintomas e os sinais da doença, buscando identificar sua intensidade, duração e outros critérios importantes. Portanto, os exames não são necessários para confirmar o diagnóstico, apesar de auxiliarem o médico a afastar outras doenças com sintomas semelhantes.

Alguns exames que podem ser requisitados são:

  • dosagem dos hormônios da tireoide;
  • dosagem dos níveis de sódio e potássio no sangue;
  • dosagem da vitamina B12;
  • hemograma;
  • ressonância magnética do sistema nervoso central.

O tratamento é individualizado de acordo com as características do paciente e a gravidade do quadro. De acordo com a quantidade e a intensidade dos sintomas, ela pode ser classificada em:

  • Leve — as diretrizes médicas recomendam como tratamento inicial a psicoterapia, que pode ser associada à medicação;
  • Moderada — o tratamento será o mesmo da leve, porém a necessidade de medicação é mais frequente;
  • Grave — a medicação deve ser utilizada, sendo possível associar mais de um tipo de antidepressivo ou outro psicoativo.

 

No caso dos idosos, a avaliação geriátrica é uma ferramenta muito importante para o diagnóstico da depressão. Ela compreende a avaliação clínica completa, exame físico e testes de rastreio, como a Escala de depressão geriátrica (Geriatric Depression Scale – GDS) e o Mini Mental.

O GDS é o instrumento mais utilizado para avaliação da síndrome depressiva em idosos, sendo atualmente a única desenvolvida com foco nesse grupo etário. Seu entendimento é mais simples e rápido, com perguntas feitas para respostas do tipo sim/não.

Já miniexame do estado mental (Mini Mental) é muito utilizado para avaliar o grau de comprometimento cognitivo dos quadros demenciais. Com seus resultados, podemos iniciar uma investigação mais profunda.

Afinal, a depressão apresenta muitos sintomas em comum com os transtornos neurocognitivos (conhecidos popularmente como demências), como a Doença de Alzheimer. Nesse sentido, uma avaliação global da saúde do idoso e das suas funções cognitivas proporciona uma maior segurança no diagnóstico.

Quer saber mais sobre a depressão e seu impacto na saúde do idoso? Confira este nosso post completo sobre o tema!

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